Mona lisas e os chapeleiros loucos


E agora eu sei, harlem espanhol
Não são palavras legais de se dizer.
Eu achava que sabia,
Mas agora eu sei que as roseiras não crescem
Na cidade de new york.

Até você ver este sonho de lata-de-lixo virar verdade,
Você fica à margem enquanto as pessoas passam direto por você.
E eu agradeço a deus que existe gente igual a você.
Agradeço a deus porque existe gente igual a você.

Enquanto as mona lisas e os chapeleiros loucos,
Filhos de banqueiros, filhos de advogados,
Viram-se e dão bom-dia à noite,
Porque, a menos que eles vejam o céu,
Mas eles não conseguem ver, e a razão
É porque eles não sabem se está escuro ou claro lá fora.

Esta broadway tem um monte de músicas pra se cantar,
Se eu soubesse o tom poderia me juntar.
Vou seguir meu rumo sozinho,
Deixar crescer minhas sementes que vou plantar
Na cidade de new york.

O metrô não é o jeito pra um homem de bem ir para baixo,
Os ricos andam de carona, e os mendigos eles descartam,
E eu agradeço a deus pelas pessoas que encontrei,
Agradeço a deus pelas pessoas que encontrei.

Lucio e Dios

Lucio & Dios

Em Hebraico [frase para decifrar.] השטן ואלוהים שהצילה אותו?

São irmãos gêmeos, do tipo que não se suportam. [Ninguém que assumir a nossa verdade e aceitar que eles têm mãe. Chamemos a excelentíssima de Chocadeira.]

Um se diz bom, DIOS conhecido também como O Todo Poderoso.

Um se diz mau, Lucio conhecido também como Capeta.

A verdade dos fatos é que a vida de ambos é uma grande competição.

Dios tenta de todas as formas ter pessoas a sua volta, ele é uma espécie de leonino ou algo parecido. Às vezes usa uma velhinha pra tentar conquistar alguém pra sua panelinha, as vezes usa uma menina franzina que tem a audácia de dizer “ irei jejuar pela sua alma” [você nem dorme com uma coisa dessas]

Lucio é algo mais “High Tech” ele utiliza de ferramentas modernas para capturar as almas, principalmente as almas que o Dios já conquistou. Foi ele quem inventou o outdoor e colocou um anuncio da Cavaleira, da loira Gelada…

Dios um dia Criou o céu e a terra.

Lucio pra não ficar pra trás criou o inferno.

Dior Criou a luz.

Lucio passou o dia todo criando trevas, so parou quando não conseguiu enxergar mais nada. [referencia tirada do diário do diabo.]

Avaliem… quem é bom e quem é mau, porque nesse teatro de fantasias e mascaras nunca sabemos quem é que vai levar a melhor.

Continua…

Meine Augen sind nicht ehrlich

“Sou MEU proprio Lider.”

Em Alemão: imponho que tenho olhos honestos.

Meine Augen sind nicht ehrlich

“Vamos dar um tempo? Um dia a gente se vê. E eu dizia “ainda é cedo”…

por: (F.C.)

Não conheço algo mais irritante do que dar um tempo, para quem pede e para quem recebe. O casal lembra um amontoado de papéis colados. Papéis presos. Tentar desdobrar uma carta molhada é difícil. Ela rasga nos vincos. Tentar sair de um passado sem arranhar é tão difícil quanto. Vai rasgar de qualquer jeito, porque envolve expectativa e uma boa dose de suspense.

Os pratos vão quebrar, haverá choro, dor de cotovelo, ciúme, inveja, ódio. É natural explodir. Não é possível arrumar a gravata ou pintar o rosto quando se briga. Não se fica bonito, o rosto incha com ou sem lágrimas.

Dar um tempo é se reprimir, supor que se sai e se entra em uma vida com indiferença, sem levar ou deixar algo.

Dar um tempo é uma invenção fácil para não sofrer. Mas dar um tempo faz sofrer pois não se diz a verdade.

Dar um tempo é igual a praguejar “desapareça da minha frente”. É despejar, escorraçar, dispensar. Não há delicadeza. Aspira ao cinismo. É um jeito educado de faltar com a educação.

Dar um tempo não deveria existir porque não se deu a eternidade antes. Quando se dá um tempo é que não há mais tempo para dar, já se gastou o tempo com a possibilidade de um novo romance.

Só se dá o tempo para avisar que o tempo acabou.

E amor não é consulta, não é terapia, para se controlar o tempo. Quem conta beijos e olha o relógio insistentemente não estava vivo para dar tempo. Deveria dar distância, tempo não.

Tempo se consome,  se acaba,  não é mercadoria, não é corpo. Tempo se esgota, como um pássaro lambe as asas e bebe o ar que sobrou de seu vôo.

Qualquer um odeia eufemismo, compaixão, piedade tola. Odeia ser enganado com sinônimos e atenuantes. Odeia ser abafado, sonegado, traído por um termo. Que seja a mais dura palavra, nunca dar um tempo.

Dar um tempo é uma ilusão que não será promovida a esperança.

Dar um tempo é tirar o tempo.

Dar um tempo é fingido. Melhor a clareza do que os modos.

Dar um tempo é covardia, para quem não tem coragem de se despedir.

Dar um tempo é um tchau que não teve a convicção de um adeus.

Dar um tempo não significa nada e é justamente o nada que dói. Resumir a relação a um ato mecânico dói.

Todos dão um tempo e ninguém pretende ser igual a todos nessa hora. Espera-se algo que escape do lugar-comum. Uma frase honesta, autêntica, sublime, ainda que triste. Não se pode dar um tempo, não existe mais coincidência de tempos entre os dois.

Dar um tempo é roubar o tempo que foi. Convencionou-se como forma de sair da relação limpo e de banho lavado, sem sinais de violência. Ora, não há maior violência do que dar o tempo. É mandar matar e acreditar que não se sujou as mãos. É compatível em maldade com “quero continuar sendo teu amigo”.

O que se adia não será cumprido depois.

by Zeca Barbosa

سيجارة

Conto Árabe

سيجارة

سيجارة

Certa feita, um valoroso e sábio guerreiro árabe, Al Hassim, chefe de numerosa tribo, após
fragoroso combate, diante do espetáculo macabro
que presenciara, do alto de uma montanha orou aos céus :”se for da tua vontade ò todo-poderoso,
sacrifica-me para por fim à guerra “!
Houve novos combates e numa tarde, pouco antes da chegada da noite, Al Hassim orou, com fervor
redobrado, mas a luta não cessou…
Os membros de sua tribo diminuíam a cada dia sangrento.
Decidiu-se então a combater só. Empunhou a cimitarra e partiu para o campo de batalha.
Ao deparar com o exército inimigo em formação de ataque, bradou: ” Vão embora !
Digam aos seus líderes que já basta de tanta matança.Aqui estou para enfrentá-los, a todos ” !
Açodou o cavalo, investiu furioso contra as hostes inimigas, estáticas ante a bravura do guerreiro solitário.
O líder adversário, presa de indizível vergonha, ordenou a retirada de suas tropas, dirigindo-se sem escolta
ao acampamento árabe, onde celebrou a paz.
Al Hassim galgou a montanha para agradecer ao todo-poderoso. Lá no alto ouviu uma voz que lhe ordenava
recolher todos os cadáveres, inclusive os dos inimigos, para sepultá-los naquele lugar.
Árdua era a tarefa de trazer tantos mortos para a montanha. Após o derradeiro sepultamento, Alah fez
chover por semanas a fio, ao fim das quais, dos céus, conclamou os chefes dos exércitos para reunir os
guerreiros ao redor da montanha.
Ao crepúsculo, os mortos levantaram-se dos seus sepulcros. Ressuscitados,os antigos contendores se
abraçaram, tomaram suas montarias e partiram.
Conta-se que ainda hoje, quando se ora em direção àquela montanha, o Anjo da Paz surge no horizonte,
ressuscitando todos os que tombaram
em alguma estúpida guerra…

1 – Candido Portinari

Quem diria C. ou quem viu que vê… o pobre mulatinho agora vai sofre,
não diga que nao avisei.



"Fico feliz por começar começar esse BLOG, [Colocar meus sentimentos, minha vida
expressar o que sinto e o que sei, atraves de imagens.] com uma imagem de um grande ARTISTA

CANDIDO PORTINARI.

Sobre o Candido:
Candido Portinari (Brodowski, December 29, 1903 – Rio de Janeiro, February 6,
1962) was one of the most important Brazilian painters and also a prominent and influential
practitioner of the neo-realism style in painting.
Born of Italian immigrants in a coffee plantation near Brodowski, in São Paulo, Portinari
studied at the Escola Nacional de Belas Artes (ENBA) in Rio de Janeiro. In 1928 he won a
gold medal at the ENBA and a trip to Paris where he stayed until 1930, when he returned to Brazil.

Olá Mundo…

A Complicada Arte de Ver (Rubem Alves)

The Monalisa

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: “Acho que estou ficando louca”. Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. “Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões – é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões Agora, tudo o que vejo me causa espanto.”Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as “Odes Elementales”, de Pablo Neruda. Procurei a “Ode à Cebola” e lhe disse: “Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de água com escamas de cristal’. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta… Os poetas ensinam a ver”.

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.William Blake sabia disso e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”. Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. “Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios”, escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa.

O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada “satori”, a abertura do “terceiro olho”. Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: “Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram”.
Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, “seus olhos se abriram”. Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em “Operário em Construção”: “De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa – garrafa, prato, facão – era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção”.

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas – e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam… Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: “A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas”.Por isso – porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver – eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar “olhos vagabundos”…