Sobre o Direito de Viver e Morrer.

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Esses dias ando meio nostalgico, então comecei a compor um texto de retalhos como segue…

Retalhos como ser retalhado, como viver em pedaços de pequenas tiras…

Uma vez vi em um filme a seguinte carta sendo escrita [Practical Magic]

Ela diz: "…Às vezes sinto que há um buraco dentro de mim…
Um vazio que às vezes parece queimar.
Acho que, se pusesse meu coração no ouvido, ouviria o oceano.
E a lua hoje…
Tem um círculo ao redor. Sinal de confusão em breve.
Sonho em ser inteira.
Em não ir dormir toda noite desejando.
Mas, quando o vento está quente e os grilos cantam…
Sonho com um amor que faça o tempo parar.
Só quero que alguém me ame.
Quero ser vista…
Não sei!
Talvez já tenha sido feliz.mas não há nenhum homem…
Só aquela lua."

Senti-me no papel da protagonista, quando espera pelo amor que decide nunca vir – pra prolongar nossa angustia. Uma vez vasculhando velhos papeis, me deparei com um retalho de um escrito de Clarisse Lispector [que não tenho nenhum interesse, portanto não sei como foi parar onde estava. mais coube perfeitamente aqui.]

Ela diz: fora das vezes em que quase morri para sempre, quantas vezes num silêncio humano – que é o mais grave de todos do reino animal -, quantas vezes num silêncio humano minha alma agonizando esperava por uma morte que não vinha. E como escárnio, por ser o contrário do martírio em que minha alma sangrava, era quando o corpo mais florescia. como se meu corpo precisasse dar ao mundo uma prova contrária de minha morte interna para esta ser mais secreta ainda. Morri de muitas mortes e mantê-las-ei em segredo até que a morte do meu corpo venha, e alguém, adivinhando, diga: esta, esta viveu.

Antes de terminar de compor esse texto, minha mãe me ligou e me informou que meu Tioi-Pai faleceu… eu nessa hora não quero ser minha prima-irmã…. afinal, será ela que ira ficar “a dor de quem fica é maior que a dor de quem parte” sozinha e tudo o que ela terá é a completude do vazio. Agora ela se tornou algo como eu, uma pessoa com mãe, uma pessoa sem pai – eu não queria que fosse assim, ela talves esta sentindo o que eu senti aos sete anos, sozinha e com frio. Será que posso dizer que estamos empatados? Que no jogo da vida eu não seja o que perde.

Se um dia você, tiver a oportunidade de ler isso, quero que saiba que o que me deixa mais triste é o fato de não poder te dizer tudo o que sempre tive vontade de dizer…

Obrigado por ser meu pai quando o meu pai não estava lá. Obrigado por ser meu pai quando o pai Eduardo tinha que ir trabalhar. Obrigado por afagar minha cabeça, por me dar doces e dizer que tudo deve ser visto como uma viagem e que um dia eu ia ficar bem e nao tiria ninguem que podesse judiar de mim, obrigado por dizer que um dia eu seria livre, que eu podeia ir embora e voltar quando quizesse, afinal se voltarmos será apenas pra dizer que estamos bem [e se não voltarmos, nada esta bem.]

Adeus Tio, que você possa nascer entre nos, pra que tudo fique bem de novoOgAAAMIt9L3MoPBVGJAldKRrkWVBAc1u6sh1XIsGrK-seXZTU_sI8WqdCKu-6oUuFRZ5kVcwUiKPgNJhTp5z5k4jWq0Am1T1UGUs8Nc2pzHPTTlzyH8zHTD42Q08 .

Fico aqui.

F.Silva

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